As pinturas murais e o mobiliário da Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus, estão em processo de restauração desde o último dia 10 de dezembro. A empresa Restaurarte Restauração Ltda, sob a coordenação da restauradora Emília Barreto, é a responsável pelo serviço, que abrange uma área equivalente a 306 m² de pinturas artísticas, cadeiras de madeiras nobres, cadeiral, guarda-corpos, balcão, lustres de cristal, arandela, cimalha e brasão central do Salão Nobre do imóvel.
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Pinturas artísticas exigem trabalho minucioso
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O restauro dos bens móveis e integrados foi viabilizado pelo Projeto de Restauração do Complexo Monumental da Faculdade de Medicina, iniciado este ano pela Universidade Federal da Bahia e Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão (Fapex), com o apoio do Ministério da Cultura e o patrocínio da Petrobras. O trabalho é realizado simultaneamente a outras obras de restauração em andamento no imóvel, considerado um dos mais importantes do conjunto arquitetônico do Centro Histórico de Salvador.
As intervenções no prédio serão feitas em etapas e prevê a recuperação da estrutura arquitetônica, mobiliário e demais bens integrados, inicialmente na Ala Nobre, que concentra os principais salões do imóvel secular (em fevereiro de 2008 a instituição completará 200 anos). A restauração das pinturas parietais do Salão Nobre é a que exige mais minúcia da equipe de especialistas.
Resgate
As belas pinturas, que retratam vultos da medicina, são de autoria do pintor baiano Manuel Lopes Rodrigues (1861-1917). Muitas delas apresentam perdas que vão de 30% a 70%, mas já recebem os tratamentos que vão permitir recuperar os registros das imagens originais, garantem os restauradores.
O trabalho envolve tratamento com resina especial para restauração em pontos comprometidos das pinturas, o preenchimento das lacunas com cola de base animal e o nivelamento da superfície. Nas áreas danificadas, o restaurador faz as correções com argamassa especial e só então dá início ao “rapot”, processo que consiste em resgatar os vestígios das pinturas originais para transportá-los para as áreas em que as imagens estão muito danificadas ou se perderam. Essa técnica, contudo, não pode ser usada quando a pintura perdida é exclusiva de uma só parede.
Para esses casos, a recuperação é feita ponto a ponto, como em uma pintura de cavalete, explica a restauradora Emília Barretto, especialista em restauração de pinturas parietais. “Vamos ter de fazer isso em pelo menos uma área de pintura única que está bastante danificada no Salão Nobre”, conta, referindo-se a uma parede de aproximadamente 15 m² que retrata uma esfinge e um medalhão, na lateral do Salão.
Cadeiras e lustres
Paralelamente ao vaivém de restauradores no Salão Nobre, uma outra equipe da Restaurarte já trabalha na recuperação do mobiliário. São 128 cadeiras com assento em palha, três com assento e encosto em palha e braço, duas austríacas, sete cadeiras giratórias, além de 21 cadeirais com 10 assentos cada, guarda-corpo e balcão. Algumas cadeiras possuem acabamento fino, com entalhes delicados, e todas são fabricadas em madeiras nobres, a exemplo de jacarandá e vinhático.
No caso dos oito lustres Baccarat (conceituada manufatura francesa de cristais), os especialistas realizam, no momento, vistoria e levantamento para identificar os elementos faltantes (pingentes, lágrimas, alfinetes de alpaca) para providenciar a encomenda das peças em casas especializadas. A arandela incluída na restauração tem formato de pira tripla de metal e cúpula de vidro jateado. A previsão é concluir a recuperação do mobiliário no prazo de 30 dias, e os demais serviços (pinturas murais, lustres e arandela) em três meses.
No momento, a Restaurarte mantém equipes de 10 a 15 profissionais (restauradores, auxiliar de restauração, mestre, marceneiro, carpinteiro e auxiliares) na Faculdade de Medicina. A empresa já atua há 25 anos no mercado local, onde executou obras importantes como a restauração da Igreja da Ajuda, do Palacete da Graça, da Casa dos Santos na Ordem 3ª do São Francisco e da Ordem 1ª do Carmo, na cidade de Cachoeira. O trabalho na Faculdade de Medicina é supervisionado pela empresa 743 Arquitetura e fiscalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Faculdade
A Faculdade de Medicina integra o conjunto arquitetônico tombado pela Unesco no Centro Histórico da capital baiana. Foi a primeira faculdade de medicina do Brasil e também inaugurou o ensino superior no País. O projeto de restauração do imóvel foi aprovado pela lei de incentivo à cultura (Rouanet), do governo federal, e recebeu um patrocínio de R$ 3 milhões da Petrobras em 2007. Os recursos permitiram a recuperação da cobertura do Salão Nobre e também viabilizam, no momento, a restauração da estrutura física do espaço, do seu mobiliário e pinturas artísticas.
Assessoria de Comunicação Social
27.12.2007
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